Pandora de Montmartre - estamos aqui, mas sem estar, estamos apenas na forma de palavras, porque a presença física é a menos importante, eu, Pandora de Montmartre e Kandinsky Campos (K.Campos) para apresentar a nossa iniciativa na esperança de que as nossas ideias possam surtir algum efeito naqueles que se disponibilizarem a lê-las.
K.Campos - esperamos que o nosso prazer de escrever estas e as futuras linhas, seja igual ou semelhante ao que o leitor sinta, porque consideramos a escrita uma "libertação" da nossa parte e gostamos que os leitores sintam o mesmo que nós, que aprendam, que tirem ilações.
Pandora de Montmartre - como disse Eugénio de Andrade "eu escrevo porque tenho necessidade de escrever", e nós como "consciência do mundo", devemos continuar a escrever e a provocar nas mentes estagnadas o efeito do questionamento individual. não queremos suscitar duvidas existenciais mas sim, questionar o modo de existência do ser humano.
K. Campos - Infelizmente, na época que vivemos as pessoas tendem a pensar cada vez menos, fruto quer da sociedade, quer da actividade das pessoas. Isso é algo que devemos combater porque nos resume a meros "rôbos". No fundo isto é algo que alguns "presados" senhores querem, para serem considerados os maiores e manterem os outros na ignorância. Relembremos o fascismo.
Pandora de Montmartre - concordo plenamente contigo, a sociedade tem todo o facilitismo possível e imaginário, tudo o que possa requerer um esforço acrescido, é deixado de lado, como o acto de reflectir. Todos os dias disponibilizamos uns minutos do nosso tempo com coisas mediocres, porque não disponibilza-lo de forma produtiva? Espero com franqueza que os temas, ideias e debates que viremos a expor neste blogue sejam um "motor de arranque" para que muitos comecem tal acto. E se não surgir quem queira experimentar a arte de reflectir, estou confiante que aqueles que ja usufruem dessa capacidade terão a curiosidade necessaria para nos seguir e, claro que serão bem vindos, para participar.
K. Campos - Saliento o que disseste acerca da participação de terceiros. Esperamos contar com a participação de todos, nem que seja para apenas para comentar! Se considerarmos que essa pessoa pode ser uma mais valia para o blog pode ate participar no mesmo, portanto fica o mote! Começem a pensar e a escrever.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Mito, utopia, fantasia...afinal onde pára o amor hoje em dia?
ELOGIO AO AMOR - Miguel Esteves Cardoso in Expresso
Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de
verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar
sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é
mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e
das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de
antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor
passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor
transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A
paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se
uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem
de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do
amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas,
farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi
namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia,
são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem,
tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides,
borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já
ninguém aceita a paixão pura,
a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a
doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito
ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não
é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a
pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso
"dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e
descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se
vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a
loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É
essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é
para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.
Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para
nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de
inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A
"vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um
fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem
tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não
dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa
alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe,
não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que
a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e
minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade
pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num
momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito
desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante
o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos
acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se
ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver
sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode
ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.
K. Campos - Ao ler este texto, confesso que realmente o que está descrito corresponde inteiramente à realidade dos nossos dias... Infelizmente...
Por diversos factores o amor tornou-se mais racional e pensado, mas se reflectirmos, isto é amor? Sintetizando o que diz o Miguel Esteves Cardoso, o amor devia ser um acto irreflectido! Paixão! Fruto de momentos, gestos e acções! Infelizmente a nossa sociedade reprime um pouco as pessoas impulsivas e as que ainda existem não são compreendidas...
Então, podemos dizer que a alteração da nossa maneira de amar é fruto da sociedade "evoluída" em que vivemos.
O autor foca uma situação da qual discordo...
"Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é
mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e
das calças e das contas da lavandaria."
Não me parece que se trate disso... Apenas, as pessoas tendem a procurar a sua "alma gémea" dentro duma espécie de circulo de amigos, não porque seja mais fácil, mas na minha opinião, porque desta maneira "aparentemente" as pessoas se conhecem melhor. De qualquer maneira há sempre surpresas, eu que o diga que já o sofri na pele.
De qualquer das maneiras, de facto, já não se cometem loucuras por amor, já não se enfrentam pais à espera na entrada de caçadeira em punho, já não se sobem varandas, já não se canta ao luar...
Pandora de Montmartre- Ja não se ama, e há muito que eu me apercebi disso... ja não se sonha, já não se divaga...pés na terra, firmes e unos...medos e receios são como sombra...ama-se em segredo porque á vergonha de mostrar a felicidade...
já não se sorri por sorrir sem saber porquê, já não se chora porque há saudade, já não se passam horas sem dormir porque alguém, nessa noite decidiu passear no nosso pensamento...
tal como disse o meu caro K.Campos, " já não se enfrentam pais à espera na entrada de caçadeira em punho, já não se sobem varandas, já não se canta ao luar...", eu sublinho e acrescento, hoje em dia já não se ama, acomoda-se...
Atrevam-se e comentem, discutam e exponham a vossa opinião...
Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de
verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar
sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é
mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e
das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de
antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor
passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor
transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A
paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se
uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem
de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do
amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas,
farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi
namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia,
são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem,
tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides,
borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já
ninguém aceita a paixão pura,
a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a
doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito
ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não
é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a
pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso
"dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e
descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se
vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a
loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É
essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é
para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.
Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para
nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de
inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A
"vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um
fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem
tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não
dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa
alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe,
não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que
a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e
minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade
pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num
momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito
desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante
o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos
acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se
ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver
sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode
ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.
K. Campos - Ao ler este texto, confesso que realmente o que está descrito corresponde inteiramente à realidade dos nossos dias... Infelizmente...
Por diversos factores o amor tornou-se mais racional e pensado, mas se reflectirmos, isto é amor? Sintetizando o que diz o Miguel Esteves Cardoso, o amor devia ser um acto irreflectido! Paixão! Fruto de momentos, gestos e acções! Infelizmente a nossa sociedade reprime um pouco as pessoas impulsivas e as que ainda existem não são compreendidas...
Então, podemos dizer que a alteração da nossa maneira de amar é fruto da sociedade "evoluída" em que vivemos.
O autor foca uma situação da qual discordo...
"Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é
mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e
das calças e das contas da lavandaria."
Não me parece que se trate disso... Apenas, as pessoas tendem a procurar a sua "alma gémea" dentro duma espécie de circulo de amigos, não porque seja mais fácil, mas na minha opinião, porque desta maneira "aparentemente" as pessoas se conhecem melhor. De qualquer maneira há sempre surpresas, eu que o diga que já o sofri na pele.
De qualquer das maneiras, de facto, já não se cometem loucuras por amor, já não se enfrentam pais à espera na entrada de caçadeira em punho, já não se sobem varandas, já não se canta ao luar...
Pandora de Montmartre- Ja não se ama, e há muito que eu me apercebi disso... ja não se sonha, já não se divaga...pés na terra, firmes e unos...medos e receios são como sombra...ama-se em segredo porque á vergonha de mostrar a felicidade...
já não se sorri por sorrir sem saber porquê, já não se chora porque há saudade, já não se passam horas sem dormir porque alguém, nessa noite decidiu passear no nosso pensamento...
tal como disse o meu caro K.Campos, " já não se enfrentam pais à espera na entrada de caçadeira em punho, já não se sobem varandas, já não se canta ao luar...", eu sublinho e acrescento, hoje em dia já não se ama, acomoda-se...
Atrevam-se e comentem, discutam e exponham a vossa opinião...
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